SEM FILTRO

Faz tempos penso sobre o quanto redes sociais como Facebook podem ser nocivas. Sem nos darmos conta, pouco a pouco, vamos nos apequenando para caber dentro das regras dos aplicativos. Acredito que isso aconteça pelo desejo de reconhecimento e a gratificação que advém dos inúmeros likes. Quem não gosta de uma boa massagem no ego e de doses diárias de endorfina no self? Mas e quando em vez de um like entra alguém para criticar o seu post. E se esse alguém é quase sempre a mesma pessoa, com as mesmas ideias sobre tudo. Será que alguém está disposto a mudar de opinião ou conversar de verdade sobre alguma coisa ou as redes se tornaram um local onde os invisíveis enfim podem ter voz, onde todos são iguais, independente do lugar de reconhecimento ou hierarquia conquistado no mundo real? Ou melhor, será que podemos dizer que existe outro mundo fora das redes sociais?  

No Facebook todos se sentem qualificados e autorizados a emitir opinião sobre tudo. Não importa se você construiu algum saber e está autorizado a falar sobre o assunto. O aplicativo nivela todas as falas e as enfileira segundo normas geridas pelo algoritmo. Então, logo após um post sobre aumento da violência contra mulheres virá uma receita sobre culinária indiana ou um anúncio sobre depilação de axilas. Enfim, é um salve-se quem puder. Nunca se viu tantas bobagens num só lugar e a serviço de um crescente empobrecimento das relações humanas pois como chamar de amigos aqueles que não foram confrontados olho a olho nos seus limites, ato falhos e contradições e por isso mesmo acolhidos na dor da existência que os constitui e é a base de uma real amizade? Em vez disso preferimos manter as máscaras e os avatares que sustentam o nosso narcisismo até o dia em que, enfim, o espelho quebra. 

Para mim ele quebrou faz tempos. Mas só agora começo a juntar os caquinhos. As Caleidoscópicas são isso. Fragmentos de um discurso que se pretende amoroso para conquistar um lugar real dentro da linguagem do mundo. É com esses caquinhos que passarei a conversar com vocês na esperança de encontrar de novo uma voz narrativa silenciada pelo ruido das redes sociais. Apareçam!

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