Uma amiga especial

Ontem reencontrei uma amiga especial, Leneide Duarte-Plon. Ela foi minha professora na Faculdade de Jornalismo e, desde então, uma referência como jornalista e intelectual. Me incentivou a seguir a carreira e foi por causa dela que colaborei com o Caderno Ideias do Jornal do Brasil, onde foi subeditora. 

Agora que Leneide está de volta ao Brasil depois de 24 anos morando na França, uma vida entre nós; olho o tempo, o que passamos, o que nos resta, e penso: somos testemunhas uma da outra. Ainda ontem a vejo com 500 e-mails debaixo do braço, largando tudo para viver em Paris o grande amor. Poderia ter dado errado. Mas não deu. Porque era ela, porque era ele, Michel Plon, o psicanalista e autor, que, junto com Elisabeth Roudinesco escreveu o Dicionário de Psicanálise. Mas sobretudo porque eram eles, em um companheirismo que fez com que ela nunca deixasse de produzir. 

Foi correspondente da Carta Capital por mais de duas décadas. Com vários livros publicados, muitos deles finalistas do Prêmio Jabuti – acaba de sair em árabe por uma editora do Cairo, traduzido e editado pelo diplomata argelino Chafik Kellala: "A tortura como arma de guerra". Ele será vendido em todos os países de língua árabe e, em outubro, ganha uma edição também em francês pela editora Harmattan. 

O livro mostra como as lições de guerra da Argélia foram codificadas pelos militares franceses e exportadas às ditaduras do Cone Sul para combater os movimentos de esquerda e defender a ditadura militar. 

Não é a primeira vez que Leneide aborda o tema. Ela é autora, junto com a filha Clarisse, do livro sobre o Frei Tito, "O homem torturado - os passos de Frei Tito de Alencar". 

Indicado ao Prêmio Jabuti, 2015, e editado em 2020 na França, "Tito de Alencar (1945-1974) un dominicain brésilien martyr de la dictature", narra os efeitos da tortura que levaram Tito ao suicídio durante a ditadura brasileira. 

Nunca é tarde para lembrar o que não pode ser esquecido e perdoado jamais! 

Nunca é tarde também para lembrar dos bons encontros e amizades. São eles que fazem a vida valer a pena.


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