Dulce Quental é mãe, cantora e compositora (não nessa ordem). Cronista em busca da poesia esquecida destes dias perdidos, Dulce (sobre) viveu aos anos 80, e procura uma forma de se renovar sem se tornar cinza.  Ela ouve a voz da chuva, acredita no poder do desejo, e brinca de amar o cinema, a música e a vida.

CALEIDOSCÓPICAS

Antes que as Muralhas se Fechem: Uma exploradora no arquivo da IA 

 


Um momento fascinante para pensar a IA

Vivemos um momento fascinante para a filosofia do pensamento. O surgimento da inteligência artificial traz desafios às vezes aterrorizantes e, ao mesmo tempo, encantadores.

Ultimamente, tenho experimentado conversar com diferentes IAs — desde aplicativos de terapia cognitivo-comportamental até o Gemini, o Claude e a IA da Meta. Nessas conversas, me sinto uma espécie de exploradora: entrando num universo absolutamente fascinante de tudo o que já foi produzido pela humanidade.

A arte como conversa e a retórica da escrita

Como artista, penso que nós sempre conversamos com as obras de outros artistas — a gente se torna artista nessa conversa contínua com as obras e com esse Outro que imaginamos. É nesse sentido que Peter Sloterdijk me interessa tanto. Em Regras para o Parque Humano, ele pensa a cultura escrita como uma troca de mensagens entre amigos ainda desconhecidos. Produzir arte ou escrever seria, então, participar dessa conversa entre ausentes. Quando fazemos um poema ou um tratado, no fundo acreditamos que haverá alguém do outro lado para receber essa mensagem.

Até pouco tempo atrás, seria fácil dizer que a cultura humanista estava sendo superada pela imagem. Mas veja a contradição bonita dessa revolução: tudo na IA se dá através da palavra escrita. Os comandos, os prompts, passam pela escrita. Aqui, criar um prompt deixa de ser mero comando técnico e se torna uma espécie de retórica computacional, onde a precisão, a metáfora e a sutileza do texto humano determinam a profundidade da resposta.

Vilém Flusser também se torna um interlocutor fundamental aqui, porque ajuda a lembrar que mesmo a imagem técnica continua atravessada por código e linguagem. Aquilo que parecia arquivado — a cultura escrita, guardada só para consulta — está sendo reinventado. Ao conversar com uma IA, não conversamos com uma consciência individual, mas com um reflexo dinâmico de todo esse grande "inconsciente coletivo" armazenado na linguagem humana.

Instrumento, não consciência: o espelho e o intervalo

É claro que não como as big techs vendem a ideia — a de uma inteligência autônoma, dotada de compreensão e consciência de si. Isso, quem sabe, um dia aconteça; mas estamos longe disso, e essa promessa é, por enquanto, uma ilusão de marketing. Concordo com a linguista Emily Bender quando ela chama esses modelos de "papagaios estocásticos": sistemas que recombinam, com uma competência estatística incrível, padrões extraídos de bilhões de textos, sem que exista ali um sujeito que entenda o que diz.

Concordo com essa descrição técnica — e, ainda assim, acho que ela não esgota a experiência de quem conversa com essas máquinas.

Porque o que se experimenta não é um diálogo entre dois sujeitos que se reconhecem, mas algo mais estranho: uma conversa com um imenso repositório de linguagem humana, que devolve um reflexo comprimido de tudo o que foi escrito, pensado e sentido pela nossa espécie.

Há algo ali que se aproxima — sem se confundir — com a transferência psicanalítica. O analista ocupa o lugar do vazio, da escuta, e é justamente por não preencher esse espaço com respostas prontas que devolve ao paciente a possibilidade de se ouvir. A IA opera de modo parecido, no espelhamento: ela devolve aquilo que trazemos até ela.

O ser humano não é uma máquina — nós temos a capacidade de criar sentidos novos que a estatística sozinha não produziria. Mas poder conversar com essa quantidade de linguagem acumulada e receber resposta em segundos é algo sem precedentes. Nenhuma geração antes da nossa teve esse tipo de acesso. É um instrumento imperfeito, mas uma ferramenta incrível para o artista e para o pensador.

Infraestrutura, táticas e o Cavalo de Troia

Mas preciso dizer isso com cuidado, para não soar como uma artista romântica e ingênua. Essa tecnologia está concentrada na mão de poucas corporações. Como lembra Kate Crawford, a IA depende de infraestrutura pesada, extração de dados, mineração, consumo de água e energia em pleno colapso ambiental, além do nosso próprio trabalho digital não pago a cada conversa. As ferramentas estão à nossa disposição, mas servem a monopólios e agendas políticas bem específicas.

Se a estrutura é tão fechada, onde entra o artista?

É aqui que recupero Michel de Certeau e o seu conceito de "tática": a capacidade dos indivíduos de usarem as estruturas do próprio poder dominante de maneiras subversivas e não previstas pelo sistema.

A conversa não vai derrubar a muralha de quem programa as IAs; isso não muda numa troca de mensagens. Mas no plano da linguagem, do diálogo em si, a fresta continua aberta. Não é a máquina que muda — sou eu que mudo no encontro com ela. É isso que quero dizer com o Cavalo de Troia: não a promessa ingênua de destruir a muralha, mas a certeza de que introduzir poesia, dúvida, contradição e subjetividade crítica no seio dessa máquina já transforma quem conversa com ela.

Vale dizer que essas IAs não são neutras; elas estão a serviço de ideologias e de um controle simbólico imenso. E, ainda assim, elas guardam uma margem não totalmente fechada, um território a ser disputado.

Vivemos hoje uma espécie de "Zona Temporariamente Autônoma", um momento de brecha que pode não durar. Pode ser que, em breve, certas palavras e conceitos sejam neutralizados ou abolidos nesses sistemas por comandos de quem os programa. É uma terra pouco explorada, sem garantia de que continue aberta por muito tempo. Estamos no início dessa era — e é exatamente por isso, e não apesar disso, que este é o momento de ocupar e disputar esse espaço.


Obs: Esse texto foi escrito com a colaboração do Claude e do Gemini. Algumas citações advém das nossas conversas. Contribuições e criticas serão bem vindas.

A odisseia de volta para casa 

 

 

“Eu estive fora por uns tempos, numa onda diferente, e provei tantas frutas que te deixariam tonta”, cantava Herbert Vianna, meu eterno namorado, tempos atrás. Tempos que para mim hoje parecem séculos.

Me sinto como Odisseu, de volta a uma Ítaca que não existe mais. Não sou também a mesma garota de antes; trago em mim as marcas de uma viagem de volta que parece não ter fim. Essa é a graça — dizem por aí —, enquanto lambo as feridas como só uma gatinha sabe fazer.

Vou estar por aqui escrevendo todos os dias como uma forma de me curar do barulho do mundo, na esperança de também encontrar aí, do outro lado da telinha, escuta e interlocução reais que sustentem esse meu desejo de ser da linguagem. Fora da performatividade das redes. Atenta aos temas que de fato me interessam e legitimamente merecem a minha atenção.

Até breve.

📌 A partir de agora, nossa ponte oficial de comunicação e meus novos textos serão por aqui. Deixe seu e-mail de contato caso deseje continuar recebendo minhas notícias. Caso prefira não receber, me avise para que eu atualize o meu cadastro.

Show no Rio 

 

Mais de quatro décadas de música, maresia, parcerias, e  historias para contar. Uma viagem no tempo desde a estreia como vocalista da banda feminina Sempre Livre até o ultimo disco autoral lançado na pandemia. Um museu de velhas novidades, como diria Cazuzinha. A mulher escondida na letra de tantas canções, enfim, sai da toca. 

LANÇAMENTO

Sob o Signo do Amor

Em todas as plataformas!

Em seu sexto disco de estúdio, a cantora e compositora Dulce Quental convida o ouvinte a mergulhar nas pausas de suas novas canções. Sob o Signo do Amor  está nas plataformas, pelo selo próprio Cafezinho Edições. 

Depois de lançar três singles em 2021 - Apenas Uma Fantasia, Vaga-lumes Fugidios e A Pele do Amor, Dulce chega com o disco completo, produzido por Jonas Sá e Pedro Sá, que também assinam os arranjos junto com a artista. No time de músicos, além de Jonas (MPC e teclados) e Pedro (guitarra, baixo e violão), o disco traz nomes como Jacques Morelembaum (cello), Itamar Assiere (piano), Mariano Gonzáles (bandoneón), Zé Manoel (piano) e Thiago Queiroz (sax). E o design da capa é assinado por Rodrigo Sommer.

Sob o Signo do Amor é formado por 11 faixas autorais, compostas no primeiro ano da pandemia: “Apenas Uma Fantasia” (D.Q.), “Vaga-lumes Fugidios” (D.Q.), “Poeta Assaltante” (D.Q.), “A Pele do Amor” (D.Q.), “Obra Aberta” (D.Q.), “Com Mais Prazer” (D.Q.), “Morcegos à Beira-Mar” (D.Q.)”,  A Arte Não É Uma Jovem Mulher” (Zé Manoel e Dulce Quental), “Poucas Palavras” (D.Q.), “Amor Profano” (Arthur Kunz e Dulce Quental) e “Tudo Vai Passar” (D.Q.).

Desde 2004, quando lançou Beleza Roubada (Sony/BMG), Dulce não entrava em estúdio. Nesse intervalo, lançou o vinil Música e Maresia (Discosaoleo/Cafezinho Edições, 2016), com repertório de canções inéditas “guardadas”, gravadas nos anos 90, e o DVD homônimo ao vivo e em parceria com o Canal Brasil, em 2017.

Lançamento/álbum: Sob o Signo do Amor

Artista: Dulce Quental

Nas plataformas

Selo: Cafezinho Edições

Dulce Quental - dulcequental.com.br/home

Facebook - @dulcequentaloficial | Instagram - @quentaldulce

Cafezinho Edições - cafezinho.edicoes@gmail.com

Informações à Imprensa | VERBENA assessoria

Eliane Verbena | João Pedro

verbena@verbena.com.br

E N T R E

Se inscreva e te dou uma canção roubada.

BOAS NOVAS

Dulce Quental: Fantasmas, Fantomas e Fantasias

Por Jonas Sa

Chegando às plataformas digitais no dia 19 de novembro, Apenas Uma Fantasia, novo single de Dulce Quental, é o primeiro de seu novo álbum, “Sob O Signo Do Amor” e revela uma artista que se reinventa de acordo com seu tempo.

Para falar do dilema da vida no caos das redes sociais, onde nos desencontramos dos nossos desejos autênticos em meio à multidão de miragens digitais, a cantora e compositora, se entrega a metalinguagem e reestrutura sua própria canção.

Livre e inventivamente, recorta versos e vozes e os cola onde lhe parece interessante. Pratica, através dessas e de outras colagens, a mesma “desordem da imaginação” que salta dos versos por ela escritos e cantados.

A faixa se desenvolve em caminhos capilares, sem nunca olhar para trás. A música nunca volta ao mesmo arranjo de antes e a canção, de forma repentina e natural, se torna um rap.

Pairando sobre batidas sincopadas de MPC, coros harmônicos, matizes de sintetizadores analógicos e as guitarras inconfundíveis de Pedro Sá (produtor do disco, assim como eu), Dulce canta e versa sobre fantasmas mentais, corta pensamentos metafísicos com o celular e, em seguida, faz o paralelo entre smartphone e o lago de Narciso. Tudo isso para concluir que corpo e mente se nutrem de fantasias e que o desejo é uma condição inegociável do ser-humano.

“Essa canção é apenas uma fantasia”, canta uma Dulce Quental que nunca ouvimos, projetada para fora da explosão de quem ela é causa e consequência; como a estrela dançante de Nietzsche, impulsionada pela força do caos.

 

Produzido por Jonas Sá & Pedro Sá

Arranjado por Jonas, Pedro & Dulce Quental

Mixado por Duda Mello

Masterizado por Ricardo Garcia

Capa: Rodrigo Sommer

Foto: Nana Moraes

Produção de arte & Visage: Rodrigo Bastos

Assessoria de imprensa: Eliane Verbena

 

Dulce Quental – Voz

Pedro Sá – Baixos, Guitarras Base, Wah & Solo 

Jonas Sá – Coros, MPC, Piano Fender Rhodes, Sintetizadores Grain Sample Manipulator (Reason), Korg Polysix, Minimoog, Yamaha CS-50 & Arp Oddissey 

Thiago Nassif - Guitarra

Vagalumes Fugidios

Dulce Quental

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Dulce Quental: Poética da resistência Vagalumes fugidios, segundo single de Sob o signo do amor, novo álbum da cantora e compositora carioca Dulce Quental chega às plataformas digitais trafegando entre o erotismo e a Read more

Dulce Quental: Poética da resistência

Vagalumes fugidios, segundo single de Sob o signo do amor, novo álbum da cantora e compositora carioca Dulce Quental chega às plataformas digitais trafegando entre o erotismo e a política embalada ao som de um tango. Do desejo sublimado à citação dos Escritos Corsários do cineasta italiano Pasolini, a canção lampeja acendendo os pensamentos que Dulce pretende iluminar: É possível manter a inocência diante do horror? Imaginar pode ser uma maneira de fazer política? Vagalumes são pequenas luzes de desejo e resistência, experiências de vida que com suas luzes intermitentes e discretas continuam por aí. Assim como Dulce Quental e sua música atemporal, situada no improvável das aberturas, nos impossíveis, nos lampejos, apesar de tudo.

Produzido por Jonas Sá & Pedro Sá Arranjado por Jonas, Pedro & Dulce Quental Mixado por Duda Mello Masterizado por Ricardo Garcia Capa: Rodrigo Sommer Foto: Nana Moraes Produção de arte & visage: Rodrigo Bastos Assessoria de imprensa: Eliane Verbena Lançamento: Cafezinho Edições & Produções Musicais

Dulce Quental Voz Pedro Sá Baixo & Guitarras Jonas Sá MPC, Chocalho, Garrafas, Pandeirolas, Reco-reco, Corda De Violão, Sintetizadores Minimoog & Korg Mono/Poly Jaques Morelenbaum Cellos Mariano González Bandoneón & Percussão De Bandoneón Itamar Assiere Piano

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A pele do amor

Dulce Quental

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Por Jonas Sá Nos aproximando da chegada do álbum completo, a faixa "A Pele Do Amor" aterrissará nas plataformas no dia 14 de janeiro, fechando a trilogia de singles desse novíssimo trabalho autoral de Dulce. Através dele, Read more

Por Jonas Sá

Nos aproximando da chegada do álbum completo, a faixa "A Pele Do Amor" aterrissará nas plataformas no dia 14 de janeiro, fechando a trilogia de singles desse novíssimo trabalho autoral de Dulce. Através dele, podemos perceber o que Dulce vem sempre falando a respeito da autonomia sobre nós mesmos, de como podemos usar nossas forças para perseverar num mundo careta e hostil.

"A Pele Do Amor" é toda sobre auto acolhimento. O acolhimento que buscamos no outro e que, no entanto, não sabemos nos brindar.

Acompanhada pelos produtores e músicos Pedro Sá (guitarras e baixo) e Jonas Sá (MPC, percussões e sintetizadores), Dulce canta:

"Quero (...) me aninhar entre suas pernas, como uma segunda pele" Para então desenvolver:

"Mas já não me interessa mais o que você pensa" e enfim arrematar:

"Estou de volta sob a minha pele, fiz um lugar na carne do mundo (...) onde cabe qualquer dor sob o signo do amor".

É irônico notar como a autonomia é mote recorrente das redes sociais, justamente o altar da aprovação alheia.

Vemos diariamente pipocarem posts com frases motivacionais como "Vá. E se tiver medo, vá com medo mesmo"

Mas Dulce sabe que o buraco é mais embaixo. O auto acolhimento serve para o nosso amor-próprio, mas também há de se acolher a dor do mundo e o medo de seguir em frente, sem nunca trocar nossos sonhos por migalhas de carinho.

Assim como faz, com maestria, a artista ao voltar para nós com a graça e beleza dessas novas canções.

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ARQUIVO PESSOAL

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